BÍBLIA. PRINCÍPIO
E FIM DE TODA COMUNICAÇÃO

Pe. Tiago Alberione, desde sua adolescência, alimentou grande
desejo de fazer algo pela humanidade de sua época. Esse "fazer
algo" concretizouse, paulatinamente, no decorrer de sua história,
na fundação das diversas congregações
e institutos religiosos que formam a Família Paulina e no
empenho incansável em anunciar Jesus Mestre e Pastor com
os meios de comunicação social.
Todo esse conjunto de obras não foi apenas fruto do sonho
de um adolescente ou resultado da persistência heróica
em um ideal. O segredo de uma vida tão fecunda repousa também
no grande amor de Alberione à Palavra de Deus, a qual, para
ele, era "lâmpada para os pés e luz para o caminho",
como diz o Salmo 119.
Antes de ser o conteúdo principal do anúncio, a Bíblia
foi o fundamento de sua espiritualidade, pois, como dizia, "é
com ela que se tem a oração mais íntegra e
completa". Nela buscava forças para enfrentar os momentos
mais difíceis, o que deixava transparecer nas palavras dirigidas
a membros da Família Paulina: "Quando vocês estão
tristes, abram a Bíblia e encontrarão algo que os
consolará. Do mesmo modo nas horas de dúvida ou de
temor: façam como os santos que, nesses momentos, recorriam
à fonte. Deus dirige e conduz: quantas vezes já não
o vimos!" (ICA 26.2.1933).
DIFUNDIR A PALAVRA DE TODAS AS FORMAS
Ler e meditar a Palavra de Deus, bem como divulgá-la com
todos os meios possíveis, na visão de Pe. Alberione,
eram ações que deviam estar presentes no dia a dia
de todo cristão e das pessoas consagradas que faziam parte
da Família Paulina. Todos unidos para criar uma mentalidade
nova na sociedade, dando-lhe novo rumo, inspirado nos valores evangélicos.
Quando falava em difusão da Bíblia, ou seja, da necessidade
de colocá-la nas mãos do povo, Pe. Alberione antecipava
o Concílio Vaticano II. De fato, no início do século
XX, esse acesso restringiase quase que exclusivamente ao clero e
aos religiosos. Sua preocupação, porém, não
se reduzia a apenas levar a Bíblia ao povo, mas consistia
também em apresentála numa linguagem simples pastoral
, a fim de que todos pudessem compreender a mensagem que Deus quis
dirigir à humanidade.
Comunicar a Palavra de Deus significava, para Pe. Alberione, divulgá-la
de diversas maneiras. Ao referirse aos meios de comunicação
social, dizia: "O livro que devemos oferecer à humanidade
é a Bíblia. Nós o oferecemos através
dos filmes ou com a imprensa, ou de viva voz pelo rádio,
com os discos, ou de outras maneiras ainda, usando todos os meios
que o Senhor nos ofereceu, da mesma maneira que nos vestimos e nos
alimentamos com aquilo que ele criou" (PrA 284).
SE SÃO PAULO VIVESSE HOJE...
Pe. Alberione valorizava toda a Bíblia, mas tinha predileção
pelos Evangelhos e pelas cartas paulinas. Dizia: "Se São
Paulo vivesse hoje, continuaria a inflamarse com aquela dupla chama
de um mesmo incêndio: o zelo por Deus e pelo seu Cristo, e
pelos homens de todas as nações. E, para ser mais
ouvido, falaria dos púlpitos mais altos e multiplicaria sua
palavra com os meios do progresso atual: imprensa, cinema, rádio,
televisão" (CISP 1152).
Vivemos, hoje, num momento histórico em que o avanço
das tecnologias trouxe muitas vantagens para o ser humano em todas
as áreas. Porém, infelizmente, nem todas as pessoas
usufruem o que há de melhor e mais moderno. Parcela considerável
da população mundial não tem acesso sequer
aos bens básicos, como alimento, educação,
atendimento médico... Urge, a exemplo de Pe. Alberione que
se inspirou em São Paulo ler, meditar e testemunhar a Palavra
de Deus, de modo especial a boa nova de Jesus Cristo, que liberta,
salva e conclama a todos para a construção de um mundo
com mais amor, justiça e paz.
(Pe. Valdir José de Castro, ssp O Cooperador Paulino,
n° 71 janeiroabril/2003 pp. 2021)
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